segunda-feira, 4 de março de 2013

Infindável noite

Observo cuidadosamente o seu sono enquanto ouço a chuva batendo no telhado.
A garrafa de café sobre a mesa, no canto do quarto, insinua-se responsável por tirar meu sono. Você, imerso em sonhos desconhecidos, no canto da cama, insinua-se responsável por tirar meu sossego.
A noite parece não ter fim. Eu não te contei como foi meu dia, mas amanhã será um novo dia, não fará mais sentido.
Os seus livros esquecidos na estante estão como na última vez que estive aqui. Você não tocou neles. Você não tocou em mim.
O relógio bate uma hora qualquer de uma noite infindável. Você ainda dorme e a chuva ainda cai. Eu continuo sem sono e sem sossego.
Amanhã, você não saberá como será meu dia. Amanhã eu vou embora sob a chuva. Fique com seus livros intocados. Você não me toca mais.



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Confissões


Estou pensando em um jeito de te dizer o que eu sinto por você sem parecer clichê.
Estou pensando em dizer-te o que eu acho dos teus olhos castanhos, encarando os meus com doçura. Estou ensaiando frases bonitas há horas na frente do espelho, tentando encontrar um jeito de te fazer entender o que eu sinto. Que você me tranquiliza e me conforta. E me completa.
Eu quero você por perto, definitivamente agora. Roubei suas manias. Estou roubando pouco a pouco os seus pensamentos. Estou me entregando lentamente, aproveitando cada momento de entrega, cada gesto, cada toque.
Estou pensando em te fazer entender que me acostumei com você. E com os seus braços me envolvendo e o seu jeito preguiçoso de manhã. Me acostumei com a sua rotina e com a sua voz. E com o seu cigarro.
Eu estou sorrindo mais ultimamente. E sendo, indubitavelmente, mais clichê.



sábado, 27 de outubro de 2012

Do inesperado


E é quando você se encontra em paz, quando não dá pra encaixar mais ninguém ao seu lado e você nem se imagina presa a alguém é que aparece aquela pessoa errada, numa segunda-feira a tarde - entende o que quero dizer? Num dia errado também! - e te bagunça.
E é disso que você precisa: encontrar as pessoas nas horas erradas. Você precisa não precisar da presença delas. E então você começa a perceber que quer a pessoa do seu lado. Não porque você necessita, mas porque deseja, simplesmente. E a relação, de tão natural, parece que já dura ha anos.
E é aí que você entende também que o longo tempo não diz nada. Vale muito mais o tempo curto: momentos. Percebe também que o envolvimento se torna cada vez mais natural, porque você só precisa dele por perto. E se ele está por perto, o dia certamente tem mais cor.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Póstumo

Romper relacionamentos é uma forma de se manter vivo.
É deixar de ser presença e se tornar falta, saudade, lembrança dentro do outro.
...E é de sofrimentos que me eternizo.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Reticências...


As vezes eu me lembro de você. Só as vezes.
Você não sabe, nem imagina, mas você marcou de um jeito só seu.
Eu me lembro das tardes juntos e das noites de conversas intermináveis. Eu me lembro daquela manhã e da chuva fina no telhado. Você se lembra também, eu sei. De como a gente conseguia tornar o impossível natural com facilidade.
Mas o mais curioso, é como a gente só se aproxima quando as coisas estão muito difíceis de acontecer. Parece que o desejo aumenta com a sensação de impossibilidade.
Eu me lembro de como havia algo diferente nas nossas trocas de olhares, e eu sabia que você também percebia isso. E de como a gente não precisava dizer muito. O mais importante ficava implícito. E nós dois percebíamos.
Mas a sensação de que a nossa história não acabou não me deixa.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012