Observo cuidadosamente o seu sono enquanto ouço a chuva batendo no telhado.
A garrafa de café sobre a mesa, no canto do quarto, insinua-se responsável por tirar meu sono. Você, imerso em sonhos desconhecidos, no canto da cama, insinua-se responsável por tirar meu sossego.
A noite parece não ter fim. Eu não te contei como foi meu dia, mas amanhã será um novo dia, não fará mais sentido.
Os seus livros esquecidos na estante estão como na última vez que estive aqui. Você não tocou neles. Você não tocou em mim.
O relógio bate uma hora qualquer de uma noite infindável. Você ainda dorme e a chuva ainda cai. Eu continuo sem sono e sem sossego.
Amanhã, você não saberá como será meu dia. Amanhã eu vou embora sob a chuva. Fique com seus livros intocados. Você não me toca mais.
