Acordou.
Fez o que todos nós fazemos todos os dias. Cumpriu sua rotina habitual como se ainda tivesse todo o tempo do mundo a sua disposição. No entanto, sabia que aquele não era um dia comum. Algo muito ruim estava por vir, e não lhe restava mais nada, a não ser esperar.
Já no final do dia, chegou em casa e, com as mãos trêmulas - consequência da sua idade avançada - pegou uma xícara de café. E, enquanto degustava sua bebida preferida, lembrou-se de coisas das quais não se lembrava a muito tempo. Sentiu uma dor forte no peito. Parecia muito difícil respirar. Um filme da sua vida passava pela sua cabeça incessantemente. Percebeu o que estava acontecendo. Era o fim. Aquilo lhe entristeceu um pouco. Em outras situações, teria rido daquela ironia. 'Quanto clichê', pensou ele.
Fechou os olhos lentamente e esperou que a morte terminasse seu trabalho.

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