Ele insistia em passar por aquele caminho. Ainda que soubesse que qualquer aproximação seria em vão. E que esse capricho sentimental o atrapalharia nos seus horários. Mas ele insistia. Insistia em cumprimenta-la todos os dias. Ela nunca retribuia. As vezes, ele desejava ardentemente que certos olhares fossem pra ele. Mas ele sabia que não eram. Uma mulher como aquela jamais o olharia. Como de fato foi o que aconteceu.
E não foi por falta de tentativas. Todas as tardes ele ensaiava uma forma de puxar assunto. E sempre as colocava em prática. Mas o assunto nunca rendia.
Talvez, a explicação fosse aquela aliança que ela trazia no dedo. Talvez aquele objeto a fizesse tão séria. Ele pensava todos os dias em uma mulher comprometida. Ele a imaginava em seus braços. Sonhava. Essa era a palavra certa.
Ele não era um homem feio. Nem tampouco desisteressante. E no entanto, desde que cruzara com aquele olhar envolvente daquela mulher, jamais conseguira se interessar por outras mulheres.
Aqueles olhos o incomodava profundamente. Sempre que se pegava pensando nela, se lembrava do seu olhar. Aqueles olhos duros e simpáticos é o que mais o incomodava.
Ele sabia que não adiantava mais tentar. Sabia que outro homem já havia conquistado, talvez por muito menos do que ele desejava. Mas enfim, naquela aliança havia o nome de outro homem. E era isso que importava.
No dia seguinte, acordou no horário certo. Não desviou seu caminho e, consequentemente, não a viu. Ele iria esquece-la e estava decidido. Fez assim por semanas, até que a imagem do rosto de sua amada já não era tão clara em suas lembranças. Apenas aqueles olhos, que jamais se desfocariam em sua mente, esses ainda eram muito vivos em sua memória.
Ah, aqueles olhos !

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