quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pesadelo

Fechei os olhos.
Eu escolhi não ver o que estava por vir. E ainda que os meus sentidos me traissem e me fizessem perceber o que estava a minha volta, eu tentava me transportar para outro lugar.
De repente, eu estava perto de você. Meus olhos estavam abertos, embora isso já não importasse mais pra mim.
Você não parecia me ver. Sempre que eu estava por perto, você estava sorrindo. E, naquele dia, me assustei com sua seriedade.
Me aproximei lentamente, temendo o que eu já sabia que significava sua reação.
De repente, tive plena certeza de que me via. Você olhava dentro dos meus olhos sem vacilar, embora parecesse tão distante. E uma única lágrima escorreu dos seus olhos. Como que para se perder no tempo.
Em um ímpeto de tristeza e na tentaviva frustrada de querer me livrar do vazio que me consumia, tentei te tocar. E eis que entendi o que acontecia. Eu já não conseguia mais te sentir. Você parecia estar em outra dimensão.
Entendi o seu olhar distante, sua lágrima solitária.
Eu não parecia mais controlar os meus sentidos. E aquele vazio que me consumia se tornou quase um abismo dentro de mim.
Eu te perdi. Você já não me queria mais. E quando essa percepção tomou conta de mim, você desapareceu.
E lá estava eu novamente, naquele mesmo lugar. Meus olhos ainda estavam fechados. Mas aquele medo não estava mais em mim. Eu sabia que nada importava mais.
Então, abri os olhos.

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